sábado, dezembro 21, 2013

CHEGADA DO PAPAI NOEL!

AMANHÃ DIA 22 NA GRANJA GUARANI A PARTIR DAS 10 HS, a festa de chegada de Papai Noel. O evento, realizado pela AMAGG (Associação de Moradores da Granja Guarani), vai contar este ano com Pula Pula ,brincadeiras, jogo de Totó e uma Mini Olimpíada. A AMAGG vai levar para a festa mais de 500 brinquedos novos e roupas para serem entregues às crianças que foram ao evento.


UM DIA DE NATAL NOS ANOS 70 DA GRANJA GUARANI E PARQUE NACIONAL

   O dia de Natal era, sem dúvida, o dia mais esperado do ano pelas crianças da Granja Guarani, Pedreira, Alto e outros bairros vizinhos ou próximos do Parque Nacional.
A data especial era dividida em três partes distintas:
De manhã, acordávamos cedo para receber presentes no Parque Nacional; à tarde era dedicada a brincar com os novos brinquedos; e, à noite, o tempo era reservado para a ceia e visitas aos vizinhos.
A casa de todos, por conseqüência, ficava cheia nesse dia. Cheia de gente, cheia de amigos, cheia de confraternizações, enfim, cheia de alegria.
O dia realmente era muito especial.
A ida ao Parque Nacional era totalmente diferente das vezes em que, no restante do verão, literalmente nos arriscávamos para furar o bloqueio dos guardas para tomar banho nas cachoeiras ou na piscina da área de proteção ambiental.
O Natal era o único dia do ano em que a administração do parque franqueava o acesso a todos pelo seu portão principal.
Por volta das 07h00 nossas mães nos colocavam de pé e, ninguém reclamava de acordar cedo no Natal.
A roupa era a melhor disponível. Éramos vestidos com os mesmos trajes da missa de domingo na Igreja Santo Antonio, no Alto.
O caminho até o Parque Nacional era feito à pé. No meio do trajeto, também diferente dos demais dias, no Natal não parávamos para colher e comer frutas que existiam em abundância no nosso bairro, como os morangos silvestres, a maçã royal, as amoras e as “azedinhas” (que só pouco tempo atrás descobri que eram Cambuci).
Ninguém pegava as frutas para não sujar a roupa.
O Dia de Natal era sempre ensolarado, mesmo assim, nem dávamos bola para a cachoeira de baixo ao lado da entrada do parque, e nem mesmo para a piscina no interior do parque. Todos estávamos mesmo era interessados no presente que iríamos ganhar.
A festa era sempre, recordo bem, numa área coberta anexa ao prédio da administração do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Havia um vão nesta estrutura que servia como garagem para os carros que prestavam serviço na área do parque. Era nesta garagem que a administração do parque distribuía um presente para cada criança da família, não importava o tamanho da prole. Fazíamos longas filas e o presente nos era dado por alguém vestido de Papai Noel, sempre sob o olhar carinhoso e sorridente dos administradores do Parnaso.
Os meninos, invariavelmente ganhavam carrinhos, bolas e armas de plástico (naquela época não tinha essa neurose de que não é legal dar réplica de arma de presente para criança, comum e justificável hoje, por causa da escalada da violência). Já para as meninas sobravam as mais variadas bonecas, joguinhos de panela, entre outros brinquedos. Junto dos brinquedos, as crianças e também os adultos tinham direito à um lanche (normalmente cachorro quente e um copo de suco).
Até hoje tenho dúvida se a festa de Natal fazia parte da política do Governo Central que precisava tornar os duros militares mais simpáticos ao povo, ou se as doações eram fruto da generosidade dos administradores do Parnaso.
Passada a festa no parque e, de volta à Granja Guarani, depois do almoço, o bairro era tomado pela garotada e seus novos brinquedos, todos muito simples, de plástico, que duravam pouco tempo, mas de um significado inexplicável.
À noite era um vai e vem constante de uma família à casa da outra até altas horas. Os mais velhos consumiam o que sobrava da “ceia” da noite anterior, enquanto as crianças ficavam pela rua brincando de “pique”, “queimada” e da inocente “pêra, uva ou maçã”.
No outro dia, se o sol continuasse forte, a ida à cachoeira para os mergulhos de verão era certa. Ficavam lotadas a Piscina Slopper (que chamávamos de Cachoeira de Baixo), o Poço do Meio e o Poço do Tarzã (na área limítrofe ao sítio do empresário Mariozinho de Oliveira. Mas essa é uma história que merece um capítulo à parte e que contaremos depois.
Cesar Rodrigues

Jornalista-Colaborador da AMAGG

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