quarta-feira, novembro 20, 2013

UMA VIDA CERCADA DE NEGROS

Faço questão de falar sobre o dia Nacional da Consciência Negra, comemorado hoje para coincidir com a data da morte de Zumbi dos Palmares, mas, não para lembrar da importância da inserção do negro na sociedade, e muito menos para relatar histórico do líder negro que combateu o regime escravocrata no Brasil Colonial. Quem quiser detalhes sobre a data e Zumbi pode fazer pesquisa na internet que sobram materiais educativos a respeito.
Quero falar que a Consciência Negra só tem um feriado a ser lembrado por conta da insensibilidade de adultos idiotas que teimaram e muito ainda teimam, em separar as oportunidades sociais de acordo com a cor da pele do cidadão.
Falo em adultos idiotas porque crianças não têm esse sentimento mesquinho. Nasci e morei na Granja Guarani até o final da minha adolescência e, isso, lá no anos 60 e 70, quando não haviam debates acalorados sobre o tema, e, certamente, o grau de racismo era ainda maior.
Pois na nossa comunidade infanto-juvenil e até mesmo na grande família adulta que formava o bairro naquela época, a consciência da cidadania plena do irmão afro-descendente era evidenciada na prática na rotina de nossas vidas.
Não havia separatismo. Comíamos no mesmo prato; freqüentávamos as mesmas casas; dividíamos a mesma carteira na escola (lembram que sentávamos em dupla nas salas de aula?); brincávamos na mesma cachoeira; dormíamos uns na casa dos outros; as “mães negras” amamentavam os filhos de mães brancas em dificuldades; os pais brancos erguiam os pais negros em dificuldades; enfim, éramos todos, repetindo, uma imensa família.
Meu primeiro “patrão”, “Seo” Azimiro, para quem alugávamos cavalos, era um dócil, sábio e franzino senhor negro que nos ensinava a todo o momento a importância do trabalho na nossa formação. Seus familiares, Edson, Serginho e outros, eram como irmãos para todos os vizinhos. Da negra Dona Iraci, só tínhamos medo dos gansos que protegiam sua casa, dela ficou a visão do sorriso fácil e da alegria de viver. Maurício Mucurú, o becão do União futebol Clube, muito mais do que guardar a zaga do time, era o protetor de todos os moleques do bairro, brancos, ou negros como ele. Os também mulatos do time Serginho, Betinho, Darci, e Geovani nos davam exemplos de honradez e de trabalho e dividiam isso conosco.

Teria inúmeros outros negros irmãos para citar como provas de que é possível uma convivência igual independente do pigmento da tês. Ainda hoje vivo rodeado de negros no trabalho e no meu cotidiano social. Graças a Deus, a vida me ensinou que esse negócio de desigualdade só existe mesmo por conta da mente insana e idiota daqueles que, infelizmente, não tiveram a oportunidade de uma infância miscigenada como a minha. Obrigado Senhor! E viva Zumbi!

Cesar Rodrigues
Jornalista-Colaborador da AMAGG

2 comentários:

  1. ARMINDO COELHO PRESIDENTE DA AMAGG20.11.13

    São umas postagens igual a esta que tenho prazer de ser Presidente desta Associação,pois pessoas como Cesar Rodrigues em suas escritas que nos tocam, no fundo de nossas almas, digo isto porque nunca senti nada em minha mente que pode ser considerado descriminatório por qualquer cor de pele,pelo contrário meus amigos mais próximos são de outra cor,que não há minha, só vejo as pessoas por suas atitudes, minha primeira namorada, e sempre é a que nunca esquecemos era negra, e sempre desfilava com ela pelas ruas cinemas e outros lugares como se fosse dono de uma mulher linda, depois do quartel é que vi na cidade grande essa besteira que é o tal do racismo, coisa idiota na cabeças dos grandes idiotas. Cesar meus parabéns e obrigado por postar esta pérola.

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