segunda-feira, agosto 19, 2013

“CASA DA PORTARIA”: MAIS UM PRÉDIO HISTÓRICO DA GRANJA GUARANI

Ruínas Casa da Portaria, na entrada da Granja Guarani
A Granja Guarani é, definitivamente, um dos bairros mais privilegiados de Teresópolis. Além da magnífica divisa com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, uma das primeiras reservas naturais oficialmente preservadas do país, a Granja Guarani guarda nacos importantes da Mata Atlântica, é palco de dois importantíssimos pontos turístico culturais,  Quiosque das Lendas (Mirante ou Carramanchão), como queiram e o Lago Iacy, e, guarda nos seus recantos, ruas e imóveis uma espetacular história.
Com a preciosa contribuição da amiga Louisa Turiel, revelamos, agora, um pouco da história da “Casa da Portaria”, construída muito provavelmente nos anos 30, e que é a primeira residência erguida logo após o Portal de Entrada do bairro à direita de quem chega à Granja.
Louisa, que nos conta que morou nesta casa entre 1962 e 1971, revela que, segundo relatos históricos, a Família Guinle trouxe materiais finíssimos de todas as partes do mundo para a construção de sua casa (a sede principal da Fazenda que deu origem à Granja Guarani) e do Caramanchão, o nosso belíssimo quiosque finalmente em fase de restauração.
Com as sobras dessas duas construções, Carlos Guinle determinou a construção da “Casa da Portaria” junto aos dois pilares de pedra na entrada
Recentemente a AMAGG promoveu mutirão de
limpeza na área externa da casa
da grande fazenda.
Os detalhes desse histórico imóvel são interessantes:
Na primeira etapa, foi construída a “vigilância” – meia parede de alvenaria sustentando janelinhas de vidro – e, logo depois, um quarto pequeno e um lavabo.
Curiosidades desta primeira etapa:
a)      O chão é de mármore, igual ao da “Casa Grande” e do Caramanchão.
b)      Os vidrinhos da janela tinham bolhas de ar, bem visíveis.
c)       Entre a “vigilância” e o quarto há uma janela de treliça, igual as da Casa Grande.
d)      As luminárias desses cômodos eram de vidro moldado, provavelmente provenientes da Áustria.
e)      Havia duas estatuetas: Inverno (figura de um homem velho) e Diana, a Caçadora (figura de uma mulher com arco-e-flecha), uma de cada lado da janela externa do quarto.
f)       O lavabo é de ladrilhos portugueses, em tons de azul e amarelo, talvez desenhados pelo mesmo artista das lendas do Caramanchão, o português Jorge Colaço.
 O porteiro deve ter se casado e tido filhos, e aos poucos outros cômodos foram adicionados ao imóvel. Adjacente ao lavabo, foi construida uma pequena cozinha, com afastamento e altura para o fogão à lenha; e mais três quartos e um banheiro completo, incluindo uma banheira. Com essas construções “a prestação”, uma das características da casa são as multiportas e janelas internas.
Carlos Tuccimei Guinle, neto do fundador do bairro,
ajudou na limpeza do Portal da Granja Guarani
Nas adições, apenas o chão do banheiro é de sobras do mármore da Casa Grande, ou é muito similar. Dois dos quartos tem chão de taboa corrida, e o último a ser construído já é de taco.  A varanda, entrada de serviço e corredor têm chão de cimento vermelho (tratado com cera Cardial e esfregão).
Louisa conta que há suspeita de que as telhas e ladrilhos da Casa Grande, do Caramanchão, da Casa da Portaria e mesmo da Fonte Judith tivessem sido feitos na própria Granja Guarani, com a supervisão do mesmo Jorge Colaço.  No terreno da Casa da Portaria havia todo um aparato de olaria e cerâmica, incluindo fornos e galpão de estoque.
No tempo que morou na residência, ela nos conta que a dona da casa chamava-se Ernestina Almeida, que também era a proprietária da área do terreno onde fica o Caramanchão. Com base nesse relato, a AMAGG – Associação de Moradores e Amigos da Granja Guarani enviará ofícios à Prefeitura de Teresópolis (Secretaria Municipal de Cultura) e ao Inepac, solicitando estudos visando possível tombamento não só da “Casa da Portaria”, como também do Portal de Entrada do bairro. O objetivo é restaurar esse imóvel e, possivelmente transformá-lo em museu para visitação turística.
Cesar Rodrigues

Jornalista-Colaborador da AMAGG

5 comentários:

  1. Gilberto19.8.13

    Interessante passo todo dia enfrente esta casa não sabia da sua historia parabens por resgatar essas historias

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  2. E onde seria a Casa Grande?

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    1. Cesar Rodrigues20.8.13

      Cara Elaine, salvo engano, a casa principal da família Guinle no bairro, é a que foi erguida dentro do antigo Sítio Esadof, hoje Sítio 1, que fica cerca de 1 km acima, na estrada do Araken e que faz divisa com o Parque Nacional. Obrigado pelo interesse.

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  3. Anônimo24.8.13

    Francesco Karlos lembro muito bem desta casa... Na epoca lembro da familia que tomava conta da mesma..por sinal um dos filhos era jardineiro do sitio esadof..."Tempo de escola" como disse antes gostaria de rever estes amigos guilherme joão eunice sua irmã...

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  4. Anônimo29.8.13

    É fundamental que esta casa seja restaurada e ae torne mais um atrativo turístico. Temos que seguir o exemplo de cidades do RS como Gramado e Canela onde temos a casa do colono, etc. Teresópolis tem vocação turística e não se pode deixar imóveis como este se deteriorarem!!!

    A Casa Principal ainda está de pé? Mora alguém nela? É possível vê-la da rua?

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