sexta-feira, julho 05, 2013

OS INDIOZINHOS DA GRANJA GUARANI – PARTE 1 -

Estradinha Granja Guarani - Foto: Blog Trekk Brasil

Carlos Guinle não poderia ter escolhido melhor nome para identificar a fazenda de posse da sua família na divisa com o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Inspirado no Guarani, o famoso romance de José de Alencar, ele batizou aquela vasta terra de Granja Guarani. Mergulhado na imensidão verde desse valioso resquício da Mata Atlântica, o bairro parece mesmo ter saído das páginas do mundo de Ceci e Peri.
Quem nasceu, vive ou morou na Granja Guarani tem realmente essa sensação do bairro repleto de alamedas, ou seja, ruas com arborização em ambos os lados. Árvores, muitas árvores de todas as espécies e tamanhos. Aos pés delas, uma rede de rios e riachos límpidos. Neste ambiente, uma profusão de animais de centenas de espécies, entre aves, mamíferos, roedores, e insetos, entre outros.
Nasci e morei no bairro até 1976, nos primeiros 15 anos de minha vida e, posso assegurar, nos horários em que não estava na escola ou em casa, sentia-me mesmo um indiozinho na vastidão verde da Granja Guarani. Entre um jogo de futebol e outro; partidas de bolinha de gude e pic esconde, a molecada da minha época fazia inúmeras incursões na mata fechada e, especialmente no verão, passamos mais tempo tomando banho nas cachoeiras da divisa com o Parque Nacional do que em casa.
Aprendíamos cedo com os mais velhos os caminhos de todas as trilhas da mata, de forma que nunca houve caso de criança perdida na floresta. Entrávamos no mato por vários motivos: para fazer cabanas, armar arapucas, caçar passarinhos, tatus e gambás, e colher frutas silvestres e um ou outro alimento que brotava na mata como abóboras, chuchu, taioba e caninha de macaco. Nos riachos, levantávamos as pedras para pegar caranguejos e, em rios de pequeno porte, nas margens, com um pouco de sorte, também pescávamos pequenos peixes e pitus com peneiras de pedreiro. De vez em quando entrávamos na mata, ainda, para balançar em enormes cipós que despencavam das árvores maiores, imitando Tarzan, o Rei das Selvas.
Mas, de todas essas atividades, certamente a que mais agradava os indiozinhos da Granja Guarani, era o banho nas águas geladas das cachoeiras que cortam o Parque Nacional. Mas isso  merece um capítulo à parte e fica para uma próxima oportunidade.
Cesar Rodrigues

Jornalista-Colaborador da AMAGG

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