segunda-feira, maio 20, 2013

PARABÉNS AO GINDA BLOCH


Lembro-me como se fosse hoje. Acordava por volta das 06h00 da manhã. Minha mãe já estava de pé com um café quente no fogão à lenha. Um pouco de leite e um pão com margarina depois, eu já estava saindo da Granja Guarani, por um estreito caminho de terra em meio à um matagal que misturava eucaliptos e pinheiros , entre outras árvores menores. Na saída do bairro, antes de chegar ao alto, descia pelo Zigue-Zague, passava por cima de um riacho em uma bucólica ponte de madeira e alcançava a atual Rua Sebastião Lacerda, atrás do Colégio São Paulo, que termina exatamente na Praça Nilo Peçanha, que fica bem em frente ao meu destino; o Colégio Ginda Bloch.

O uniforme era impecável: Camisa Branca (de manga curta, no verão e longa, no inverno) com golas e mangas azuis e um emblema salvo engano com uma coruja do lado esquerdo do peito, encimado pelo nome da mãe de Adolpho Bloch. A calça era xadrez cinza. Depois de ter passado pela Escolinha da Granja (Sylvio do Amaral) e pelo Euclydes da Cunha, vestir o belíssimo uniforme do “Ginda” me fazia crer que eu tinha bem mais do que 1,45 m. de então. Realmente me sentia um gigante estudante. 
O orgulho não era para menos. Estamos falando do ano de 1973 ou 74. O colégio, uma obra prima do arquiteto Oscar Niemeyer, feito sob encomenda do amigo Adolpho Bloch em memória da mãe de um dos maiores gráficos e empresários de comunicação que este país tinha nos anos 70 (dono das revistas Manchete e Cruzeiro), era realmente impecável. Visto de cima, o Ginda Bloch lembra materiais escolares. O que eu mais gostava era o formato do auditório que, com rampas de concreto sobrepostas em círculos, parece um apontador de lápis, e, é claro, não era páreo para as escaladas dos moleques.
Os corredores do prédio eram todos em chão de mármore; as salas de aula tinham o lado externo em paredes de vidro; as portas das salas eram em pesadas madeiras maciças, com maçanetas bronzeadas. Pisos de madeira impecavelmente encerados serviam de base para quase todos os ambientes do colégio. Realmente um luxo! O corpo docente acompanhava o elevado padrão das linhas arquitetônicas do prédio.
E o que o “Birruguinha” da Granja Guarani (este era meu apelido em função de uma “carne esponjosa” que havia na minha narina esquerda, e que só foi retirada anos mais tarde já aqui em São Paulo) estava fazendo aí nesta escola-modelo? Obra e arte de uma de minhas irmãs mais velhas que ficou sabendo que havia uma espécie de vestibular para alunos de baixa renda. Dependendo da colocação na prova, o prêmio era estudar no Ginda Bloch sem custos adicionais, a não ser o do espetacular uniforme. 
Fiz a tal prova e ao entregar o “teste”, a diretora olhou para mim e perguntou: “Mas você não é o “Birruguinha” da Granja Guarani?”. Nem precisei responder e ela já emendou: “A vaga é sua!” Só mais tarde soube que minha “fama” de bom aluno, devorador de medalhas de “Honra ao Mérito” no finais de ano, havia ultrapassado as fronteiras da escolinha da Granja e do Euclydes da Cunha. 
A pequena historinha pessoal é so pra dizer que hoje estou ainda mais orgulhoso do Ginda Bloch. Pelo menos externamente, na minha última visita à Teresópolis, vi que o prédio continua impecável e agora, merecidamente, está entrando no rol dos monumentos culturais tombados na cidade. Justo, mais do que justo!

Um comentário:

  1. ARMINDO COELHO PRESIDENTE DA AMAGG20.5.13

    Hoje está em São Sebastião, (São Paulo) mostrando o grande jornalista que é, representando dignamente Teresopolis, e ainda mesmo há quilometros de distância trabalhando arduamente pela nossa Teresopolis, pois o que defende não é só a GRANJA GUARANI em suas crônicas e pensamento (nos orientando, politicamente e humanamente), e sim toda há cidade, pessoa digna de receber grandes méritos, mas, como já dizia um velho politico, os grandes beneméritos honrados quase sempre são esquecidos, só os que olham diretamente para si e entregam pouca porcentagem para os ratos são mais lembrados e aplaudidos. Mas dentro de uma mente perpicaz, o troféu é maior. Parabéns CESAR por não esquecer suas raizes, você tem história, para contar com orgulho para sua geração, e para sa futuras.

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