quarta-feira, março 30, 2011

HISTORIA DO MIRANTE DA GRANJA GUARANI (LEIA É DE EMOCIONAR!!)



JORGE COLAÇO (1864 – 1942)
A ele se deve os magníficos painéis de azulejos deste palácio, tendo alias sido também o grande responsável pelo ressurgimento da arte da azulejaria nos princípios do séc. XX
Filho de um diplomata, Colaço nasceu em Tanger. Cedo se revelou um excelente desenhista e caricaturista. Durante a sua juventude estudou pintura em Paris e Madrid.
A sua atividade como pintor de azulejo é o resultado da sua amizade com o Inglês Gilman, então director da fábrica de Sacavém, pois é aqui que Colaço ira aprender as técnicas necessárias para o conhecimento da arte da azulejaria.
De 1920 a 1940, "O Mestre" estará ligado a uma outra fábrica, também bastante importante (A Lusitana), CHEGANDO INCLUSIVE A SER O DIRECTOR.
A Obra de Colaço pode ser encontrada em todo o Mundo, alem dos painéis do palácio Alverca convém destacar outros notáveis trabalhos deste artista:
Hotel do Buçaco, o seu imenso painel representando a batalha do Buçaco e as conquistas dos portugueses em África e na Índia.
Sala dos Paços Perdidos da antiga Faculdade de Medicina de Lisboa.
A Monumental Estação de São Bento no Porto, bem como as estações de caminho de ferro em Beja, Évora, Castelo de Vide, Marvão entre muitas outras.
Inglaterra, no castelo de Windsor.
Suíça, no antigo palácio da Sociedade das Nações, em Genebra.
Estados Unidos, Espanha, Bélgica, Argentina, Brasil, Cuba e Uruguai são outros dos países onde poderemos encontrar obras de Colaço.
Encontramos no palácio Alverca três painéis decorativos da sua autoria:
Feira de Santa Eulália (sala do restaurante)
«Lusíadas» (sala Olivença)
Cenas de Caça, uma Tourada (sala dos Sócios)
Datados do ano 1918-1919, possivelmente numa altura em que Colaço se encontrava vinculado à Fábrica de Sacavém.
Estes painéis refletem bastante bem o caráter da azulejaria da primeira metade do séc. XX.
Pois nesta altura temos duas correntes opostas, por um lado as manifestações modernas expressas na Arte Nova e na Arte Deco, por outro, como é o caso dos azulejos por nós tratados as tradicionalistas de caráter revivalista e romântica. A sua inspiração é tirada da grandeza histórica de Portugal ou simplesmente da exaltação da vida quotidiana. Estilo Bastante marcado pela sua luta contra a industrialização.

O saudismo do mundo rural, o imaginário do mundo medieval e a inspiração do passado histórico eram as armas usadas pelos artistas adeptos desta corrente. Coincidência ou não encontramos neste Palácio um exemplo representativo de cada uma destas armas. Se não vejamos:
Feira de Santa Eulália (mundo rural)
«Lusíadas» (passado histórico)
Cenas de Caça, uma Tourada (imaginário medieval)
A Técnica usada pelo «mestre» na elaboração destes padrões de azulejos é o resultado de muitos anos de experiências. Com a ajuda de Gilman (director da fábrica de Sacavém) Colaço alcançou conhecimento de uma técnica bastante difícil. Crente das suas qualidades de excelente desenhista, pintor e aquarelista, tirou partido destas para a sua obra.
A técnica que escolheu, foi a pintura sobre o vidro cozido que poderia ser feita com dois tipos diferentes de tintas:
As cores de grande fogo (aprox. 1000 graus)
As cores de baixo fogo ou mufla (600-700 graus)
As primeiras apresentam uma paleta reduzida de tons (técnica usada nos Lusíadas) enquanto que as segundas possuem uma vasta gama de cores (técnica usada nos restante painéis).

Jorge Colaço só se ocupa da parte figurativa dos painéis, sendo toda a ornamentação (molduras e cartelas) pintados pelos seus colaboradores. Os seus projectos começavam por ser aguarelas que depois de quadriculados eram transportados para os azulejos, que ele pintava com sucessivas camadas de tinta amassada com verniz e aguarrás para obter as tonalidades necessárias.
Esta técnica foi de certa maneira uma procura e atualização de uma solução para o azulejo português.
Sendo assim encontramos no Palácio Alverca um grande nome da azulejaria portuguesa, ficando na história das artes nacionais como o homem que revitalizou essa arte tão lusitana que é a de trabalhar azulejo.

COMO A NOITE APARECEU
Lenda tupi


No princípio não havia noite — dia somente havia em todo tempo. A noite estava adormecida no fundo das águas. Não havia animais; todas as coisas falavam. A filha da Cobra Grande – contam – casara-se com um moço. Esse moço tinha três fâmulos fiéis. Um dia, ele chamou os três fâmulos e disse-lhes: — Ide passear, porque minha mulher não quer dormir comigo. Os fâmulos foram-se, e então ele chamou sua mulher para dormir com ele. A filha da Cobra Grande respondeu-lhe — Ainda não é noite. O moço disse-lhe: — Não há noite, somente há dia. A moça falou: — Meu pai tem noite. Se queres dormir comigo, manda buscá-la lá, pelo grande rio.
O moço chamou os três fâmulos; a moça mandou-os à casa de seu pai, para trazerem um caroço de tucumã. Os fâmulos foram, chegaram à casa da Cobra Grande, esta lhes entregou um caroço de tucumã muito bem fechado e disse-lhes: — Aqui está; levai-o. Eia! Não o abrais, senão todas as coisas se perderão. Os fâmulos foram-se, e estavam ouvindo barulho dentro do coco de tucumã, assim: tem, tem, tem… xi… Era o barulho dos grilos e dos sapinhos que cantam de noite. Quando já estavam longe, um dos fâmulos disse a seus companheiros: — Vamos ver que barulho será este? O piloto disse: — Não, do contrário nos perderemos. Vamos embora, eia, remai!
Eles foram e continuaram a ouvir aquele barulho dentro do coco de tucumã, e não sabiam que barulho era. Quando já estavam muito longe, ajuntaram-se no meio da canoa, acenderam fogo, derreteram o breu que fechava o coco e abriram-no. De repente, tudo escureceu. O piloto então disse: — Nós estamos perdidos; e a moça, em sua casa, já sabe que abrimos o coco de tucumã! Eles seguiram viagem.
A moça, em sua casa, disse então a seu marido: — Eles soltaram a noite; vamos esperar a manhã. Então, todas as coisas que estavam espalhadas pelo bosque se transformaram em animais e pássaros. As coisas que estavam espalhadas pelo rio se transformaram em patos e em peixes. Do paneiro gerou-se a onça; o pescador e sua canoa se transformaram em pato; de sua cabeça nasceram a cabeça e o bico do pato; da canoa, o corpo do pato; dos remos, as pernas do pato. A filha da Cobra Grande, quando viu a estrela-d’alva, disse a seu marido: — A madrugada vem rompendo. Vou dividir o dia da noite. Então, ela enrolou um fio e disse-lhe: — Tu serás cujubim. Assim ela fez o cujubim; pintou a cabeça do cujubim de branco, com tabatinga; pintou-lhe as pernas de vermelho com urucum e, então disse-lhe: — Cantarás para todo sempre, quando a manhã vier raiando. Ela enrolou o fio, sacudiu o fio, sacudiu cinza em riba dele, e disse: — Tu serás inhambu, para cantar nos diversos tempos da noite e de madrugada. De então pra cá todos os pássaros cantaram em seus tempos, e de madrugada para alegrar o princípio do dia. Quando os três fâmulos chegaram, o moço disse-lhes: — Não fostes fiéis – abristes o caroço de tucumã, soltastes a noite e todas as coisas se perderam, e vós também, que vos metamorfoseastes em macacos, andareis para todo sempre pelos galhos dos pau. (A boca preta e a risca amarela que eles têm no braço, dizem que são ainda o sinal do breu que fechava o caroço de tucumã e que escorreu sobre eles quando o derreteram.) (General Couto de Magalhães, O selvagem) Do meu grande amigo Henrique Vieira da Silva.

2 comentários:

  1. Anônimo30.3.11

    Infelizmentes estes valores são esquecidos pela maioria dos "administradores ", o nosso povo é muito rico em cultura, mas as deixamos sempre em segundo ou em último plano, valorizamos o que de fato não tem tanta importância para a "história", devíamos rever estes conceitos, pois é muito bom visitar algo que nos traz boas lembranças, e vê que os PONTOS HISTÓRICOS (TURÍSTICOS), estão sendo destruídos por descaso ou falta de recursos, enquanto milhões de reais são investidos em coisas que duram apenas alguns meses "Eleições, promessas não cumpridas". Ao invés de usarem pra matar a fome de tanta gente e manter nosso patrimônio histórico vivo. Sou filho desta terra, que AMO TANTO!
    Elena de Paula

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  2. Anônimo30.3.11

    Daria um Filme esta História ,já pensouem mandar esta historia para alguma produtora,enquanto vçs nãomandam vai servir para a minha monografia na Faculdade,Obrigado.
    Ass Feliphe

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