segunda-feira, janeiro 17, 2011

A ATUAÇÃO DA AMAGG NA MAIOR TRAGÉDIA DE TERESOPOLIS


Agora são 18h20 desta segunda-feira, 17 de janeiro. Estamos muito perto de completar uma semana do dia mais triste da história de Teresópolis e municípios vizinhos. Já passa de 650 o número de mortos na maior tragédia climática de que se tem notícia no Brasil.
Pipocam aqui e ali histórias trágicas de personagens que escaparam ou que ajudaram o próximo a escapar da morte.
Aqui mesmo na diretoria da AMAGG temos os relatos das noites em claro do presidente Fernando, do Sr. Armindo, do Kiko e de outros que fizeram uma varredura na Granja e na Pedreira na busca de donativos para as vítimas.
Os três, acompanhados também do Fábio, do Projeto Lutando Pelo Bem e ainda da Jaque, eterna colabora da associação, também desenvolveram outras ações importantes como a preparação e entrega de alimentos para os soldados do exército, da PM e da Força Nacional de Segurança que estão espalhados e muitas vezes famintos por causa da incansável luta pela vida.
Ontem, por exemplo, toda a diretoria e outros colaboradores da Granja prepararam mais de 300 lanches que foram distribuídos aos homens da segurança entre o Alto e a reta da Várzea.
Além disso, Fernando, Armindo e Fábio e Leonardo, estão varando a noite batendo de casa em casa em vários bairros atingidos, verificando in loco se os moradores precisam de ajuda e levando alimentos e outras doações.
Temos também o destemido trabalho do Leonardo que, funcionário de um hospital da cidade, está ainda mais envolvido com o trágico saldo da tromba d’água que devastou total ou parcialmente 15 bairros do nosso município.
Para quem não conhece, Leonardo é um jovem bastante forte. Luta boxe, não comete excessos e tem saúde para dar e vender. Pai exemplar, ele sabe a importância da família para o ser humano.
Ainda que forte, por vezes, nos últimos dias, Leonardo tem desabado em prantos ou vertido lágrimas contidas de canto do olho por causa das situações limites que tem enfrentado.
Mesmo atuando no setor burocrático do hospital que trabalha, Leonardo, já na quarta-feira passada estava na linha de frente dos primeiros voluntários que se apresentaram para ajudar nossos irmãos de bairros vizinhos. Retirou o paletó e a gravata, colocou um avental branco e disparou para o Pronto Socorro.
Seus braços fortes serviram de colo e transporte para vários feridos que chegavam no PS trazidos por voluntários. Ao atender uma jovem de 19 anos, Leonardo viu cair da maca uma criança prematura morta de cerca de três meses. Um pouco depois, amparou dois velhinhos cuja casa havia sido atingida por um raio na noite anterior e a idosa parecia arder como 40 graus de febre.
Nosso diretor já fez várias viagens ao Caleme, Campo Grande, Santa Rita, Três Córregos, Bonsucesso e Vieira. Leva mantimentos e volta com feridos.
Em Vieira ele conheceu um Senhor que enterrou um garoto que pensava ser seu filho. No dia seguinte, realmente e infelizmente encontraram seu filho morto, e a Defesa Civil teve que retirar da cova o outro corpo desconhecido.
Em outro episódio Leonardo conheceu pessoas que sepultaram um homem conhecido como João Nona. Horas depois o próprio João Nona apareceu dirigindo um trator para alegria e alívio dos familiares. Uma amiga de trabalho sua, que perdeu 15 membros da família achou a mãe a mais de 10 km de distancia da casa.
Ontem, voltando à Viera para levar doações aqui da Granja Guarani, instintivamente Leonardo subiu um morro com muita dificuldade com seu velho carro. Parou numa humilde Igreja que estava com mais de 20 desabrigados tomando água da chuva. Uma mulher de cerca de 80 anos disse que foi DEUS que havia enviado nosso destemido diretor àquele lugar. Leo entregou mantimentos para os adultos e uma bolsa de brinquedos separada pelo seu filho John para um garoto de cinco anos. Novamente, as lágrimas foram inevitáveis.
Leonardo está cansado, mas, decidiu que não vai parar, mesmo correndo riscos, como quando passou por uma ponte que ameaçava desabar.
Que Deus proteja o Leonardo, o Fernando, o Fábio, o Armindo, a Jaque e tantos outros voluntários que, neste momento de dor, estão salvando vidas e dando conforto aos nossos irmãos teresopolitanos.

Cesar Rodrigues
Jornalista

3 comentários:

  1. Jacque18.1.11

    Bem, apesar de sempre ajudar, por estar com a perna imobilizada,só contribui com roupas, mantimentos e outras doações para que o lanche fosse feito. Esse mérito vou deixar para: Rita esposa de Fernando, Luana esposa do Kiko, Stefani esposa do Alan dono da padaria, Fabiane irmã do Fábio, e muitos outros voluntários que aqui trabalharam em prol dos necessitados. Deixo aqui o meu agradecimento ao Cesar por estar fazendo este trabalho lindo e divulgando os anônimos que estão procurando fazer o melhor à aqueles que precisam. Obrigado.

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  2. Anônimo18.1.11

    Esqueceu da Pastora Erika ,que foi encansavel nesta luta junto a estas Mulheres Guerreiras.
    Giselle

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  3. Anônimo24.1.11

    Eu quero saber , se o carro desse tal Leo é um 4x4.Porque fiquei por trilheiros, que só se chegava lá com esse tipo de carro.Ou foi voando, com seus braços fortes e grande como super man.

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