quarta-feira, dezembro 15, 2010

Um Dia de Natal nos Anos 70

O dia de Natal era, sem dúvida, o dia mais esperado do ano durante toda a minha infância na Granja Guarani.
Ele era dividido em três partes distintas:

De manhã, acordávamos cedo para receber presentes no Parque Nacional; à tarde era dedicada a brincar com os novos brinquedos; e, à noite, o tempo era reservado para a ceia e visitas aos vizinhos.
A casa de todos, por conseqüência, ficava cheia nesse dia. Cheia de gente, cheia de amigos, cheia de confraternizações, enfim, cheia de alegria.
O dia realmente era muito especial.
A ida ao Parque Nacional era totalmente diferente das vezes em que, no restante do verão, literalmente nos arriscávamos para furar o bloqueio dos guardas para tomar banho nas cachoeiras ou na piscina da área de proteção ambiental.
O Natal era o único dia do ano em que a administração do parque franqueava o acesso a todos pelo seu portão principal.
Por volta das 07h00 nossas mães nos colocavam de pé e, ninguém reclamava de acordar cedo no Natal.
A roupa era a melhor disponível. Éramos vestidos com os mesmos trajes da missa de domingo na Igreja Santo Antonio, no Alto.
O caminho para o parque era feito à pé. No meio do trajeto, também diferente dos demais dias, no Natal não parávamos para colher e comer frutas que existiam em abundância no nosso bairro, como os morangos silvestres, a maçã royal, as amoras e as “azedinhas” (que só pouco tempo atrás descobri que eram Cambuci).
Ninguém pegava as frutas para não sujar a roupa.
O Dia de Natal era sempre ensolarado, mesmo assim, nem dávamos bola para a cachoeira de baixo ao lado da entrada do parque, e nem mesmo para a piscina no interior do parque. Todos estávamos mesmo era interessados no presente que iríamos ganhar.
A festa era sempre, recordo bem, numa área coberta anexa ao prédio da administração do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Havia sempre um presente para cada criança da família, não importava o tamanho da prole.
Os meninos, invariavelmente ganhavam carrinhos, bolas e armas de plástico (naquela época não tinha essa neurose de que não é legal dar réplica de arma de presente para criança, comum e justificável hoje, por causa da escalada da violência). Já para as meninas sobravam as mais variadas bonecas, joguinhos de panela, entre outros brinquedos.
Passada a festa no parque e, de volta à Granja, depois do almoço, o bairro era tomado pela garotada e seus novos brinquedos, todos muito simples, de plástico, que duravam pouco tempo, mas de um significado inexplicável.
À noite era um vai e vem constante de uma família à casa da outra até altas horas. Os mais velhos consumiam o que sobrava da “ceia” da noite anterior, enquanto as crianças ficavam pela rua brincando de “pique”, “queimada” e da inocente “pêra, uva ou maçã”.
No outro dia, se o sol continuasse forte, a cachoeira era certa. Mas essa é uma história que merece um capítulo à parte e que contaremos depois.

Isso é o que eu consigo lembrar, se alguém que tem entre os 45 e 50 anos, recordar de algo mais é só relatar nos comentários abaixo. O mesmo pode ser feito pelos mais novos e os natais mais recentes.
Abraço a todos e Feliz Natal!
Cesar Rodrigues
Jornalista
São Sebastião-SP

8 comentários:

  1. Anônimo15.12.10

    mto bôa essa história aí, o cesar lembro certinho. depois do natal com sol a granja ia toda pra cachoeira, e aquela época era mto legal por que nao tinha violencia e a gente andava tranquilo de noire nas rua do bairro.

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  2. Anônimo15.12.10

    Era lindo ver aquelas mulecada na cachueira ,a granja sempre se destacava no mergulho,e os turista ficavam maravilhados em ver a nossa jovenidade dando aqueles belos Saltos.
    Aldair Pedreira

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  3. Amarildo15.12.10

    Quem não se lembra do Vani,um essepicional nadador,igual a ele daquela epocanão tinha.
    Amarildo

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  4. Anônimo15.12.10

    Vendo esta foto do Alto Antigo dá até saudade do velhos tempos de Baile de ano novo no Higino, e da Adega do Manuel,o Tempos Bons,o amigo me fez lembrar de epocas que eu já tinha me esquecido de como era bom ser Teresopolitano.
    Rubinho Higino

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  5. Anônimo15.12.10

    Como era bom virar a noite de Natal na José Bonifacio fazendo Bagunça enchendo a cara de Vinho,no Bar do Ari e na Falecida Maria Maura.
    João Beira Linha

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  6. Anônimo15.12.10

    Que legal eu faço parte desta historia ,saia da casa,do Moacir de Carvalho,e ia para debaixo da Ponte do Parque pois ali não pagava,e depois ia para o Bar colado na ponte do senhor não me recordo o nome era Zica

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  7. CESAR RODRIGUES15.12.10

    Muito bom as pessoas guardarem momentos importantes da infância. Já que citaram alguns nomes, vou lembrar de mais alguns frequentadores e saltadores da "muralha" da cachoeira de baixo, do poço do meio e também do poço do Tarzan.
    Além de eu, meus irmãos mais velhos Mazinho e Arnaldo, meus primos Ivan, Sidnei, Wilson, Luiz e Zeca, o Valdo e seu irmão Teco, O Cid (borracha), Maurício (Mucurú), Liu Fernando e Orlando Oraque, Arnaldinho (da parte de cima da Granja), Meia - Noite, Tião Barrão (sempre de porre)e mais um montão de muleques na época que depois vamos lembrar.
    Os turistas ficavam em cima da ponte tirando fotos e aí era um espetáculo com saltos tipo "canivete", "tesoura", "anjinho" e cambalhotas (de frente e de tras), entre outros.
    Depois vou fazer um post específico sobre as cachoeiras. Quem quizer contribuir é só colocar aqui nos comentários.

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  8. Anônimo13.1.11

    Olá...
    Muitos aí na Granja nunca ouviram falar de mim... mas eu também nasci aí. Sou orgulhosamente filha do "Seu" Antonio ( O pra sempre lembrado Toninho Marreta) e "Dona" Maria e portanto irmã do jornalista Cesar Rodrigues.
    Meu maninho descreveu de uma forma muito doce as lembranças de nossa infância.
    Mas hoje eu posto este comentário pra me solidariezar com a tristeza de todos.
    Moro em Curitiba, e soube pela TV a tragédia que se abateu sobre a nossa linda e pra sempre amada Teresopolis.
    Que Nossa Senhora cubra com seu manto e amenize a dor de todos que além de perder seus bens pessoais perderam vidas, preciosas e amadas.
    E é com muito pesar que deixo aqui estas condolências.
    Saudades
    Anita Dec

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